XII Mostra Fotográfica VER-A-CIDADE Marabá

ARES E ÁGUAS


O risco, objeto social, define-se como a percepção do perigo, da catástrofe possível. Ele existe apenas em relação a um indivíduo e a um grupo social ou profissional, uma comunidade, uma sociedade que o apreende por meio de representações mentais e com ele convive por meio de práticas específicas. Não há risco sem uma população ou indivíduo que o perceba e que poderia sofrer seus efeitos. Correm-se riscos, que são assumidos, recusados, estimados avaliados, calculados. O risco é a tradução de uma ameaça, de um perigo para aquele que está sujeito a ele e o percebe como tal. (Yvette Veyret, 2007).


Me peguei procurando uma definição que me levasse a compreender um certo aspecto da vida do marabaense, e posso dizer que tenho feito isso algumas boas vezes nos últimos anos, desde que me instalei na cidade em 2015. Normalmente recorro aos jornais locais e artigos científicos, aproveitando a intensa produção das Universidades da região.

Nesta edição do Ver-a-cidade me deparei com uma expressão que surgiu a mente, logo após fenômenos climáticos atingires o nordeste do Brasil, iniciando tragicamente na Bahia, caminhando para Minas Gerais e encontrando as cabeceiras dos rios Araguaia e Tocantins, presentes entre os Estados do Mato Grosso, Goiás e Tocantins e enfim o Pará, que colocou em “situação de risco” inúmeras famílias em quilômetros de catástrofe climática.

Risco para a geógrafa francesa acima citada, seria essa percepção do grupo e, portanto, poderíamos entender como algo cultural, desenvolvido a partir de uma experiência coletiva, como por exemplo: uma enchente, ou melhor, várias enchentes ao longo de décadas de registros.

Não venho agora ocupar vocês das questões que tangem políticas públicas, de certo muito importantes ao tocar neste assunto. Porém, me é estranho e curioso a relação de aceitação do risco que há décadas famílias e famílias assumem ao ocuparem a Velha Marabá. E mais, como o fenômeno é esperado e celebrado – eu mesma fui convidada para sair de casa e ir visitar a Orla da cidade na enchente de janeiro deste ano, a maior nos últimos 18 anos, com mais de 2mil fam


ílias deslocadas compulsoriamente, porém com expectativa de volta.

Mesmo acompanhando e lendo textos que buscam cientificamente me orientar nesse universo cultural marabaense - do qual, ainda há aqueles que questionam a coesão -, mesmo escutando histórias de mestras e mestres nas esquinas de ruas, no pé dos rios que serpenteiam sorrateiros as penínsulas que se águam... me falta ainda, e acredito que por quase pouco, a paixão obstinada pelo solo marabaenses, que fincam raízes, ou se amararam nos jiraus, fiéis.







JORDÃO NUNES, artista homenageado


É marabaense, fotógrafo autodidata com pouco mais de 10 anos de experiência com as câmeras. Seu interesse pela fotografia se deu a partir do universo fascinante dos insetos e pequenos animais, despertando logo sua atenção para as paisagens exuberantes da cidade de Marabá, sua maior retratada.

Jordão é um dos mais requisitados fotógrafos comerciais da cidade, tendo inúmeras fotos ampliadas por grandes empresas, além da participação em concursos, como o da TV Liberal em 2013, no centenário de Marabá, do qual foi vencedor.

É com calma, delicadeza e candura que enxergamos Marabá sobre o olhar apaixonado de Jordão, e com o qual compartilhamos com vocês a intimidade de um futebol na chuva, o verão marabaense e as pequenas vidas que habitam a flora da região.






Natacha Barros, organização.



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