Buscar
  • Natacha Barros

Desdobramentos simbólicos do desenvolvimento sustentável


05 DE JULHO

DIA INTERNACIONAL DO MEIO AMBIENTE

Nos anos 70 o mundo se organizou para falar sobre os efeitos nocivos das industrializações das sociedades modernas. Em Estocolmo, capital da Suécia, a Organização das Nações Unidas/ONU realizou a 1º Conferência Mundial sobre o Meio Ambiente (1972), ocasião em que foi instituído o 5 DE JUNHO como dia para campanha mundial pela consciência ambiental. Países de primeiro e terceiro mundo, como se denominavam à época, se reuniram para entender, por um lado, como resolver graves problemas ambientais, e por outro, como não terem seu desenvolvimento obstruído por restrições na exploração dos seus próprios recursos naturais (NASCIMENTO, 2012).

Travar esse diálogo internacional não foi e ainda não é fácil. 20 anos depois de Estocolmo, a mesma ONU organizou no Brasil a Eco-92, no Rio de Janeiro, marcada pela construção de uma nova ideologia ecológica. Nas palavras do geógrafo Leandro Oliveira (2012) “A Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, realizada no Rio de Janeiro, foi convertida em um simulacro espacial para a consignação de um consenso em torno da ideia de desenvolvimento sustentável”, culminando na famosa Agenda 21, um conjunto de compromissos em prol da saúde do meio ambiente assumidos pelos países participantes da conferência. Bem, os estudantes dos pré-vestibulares devem lembrar bastante disso, e lembrar também que essa agenda, anos depois, retomada na Rio+20, não foi totalmente cumprida.

Tão importante quanto as discussões oficiais organizadas pela ONU foi a mobilização da sociedade civil na realização do evento paralelo, o Fórum das Organizações Não-Governamentais e Movimentos Sociais, ou Fórum Global como ficou conhecido, “foi acima de tudo um campo aberto de debate: com diferentes vozes, marcado pela diversidade de propostas, por vezes com irreverência, radicalismo e utopia, tornou-se uma clara afirmação da sociedade civil face ao centralismo e à burocracia dos Estados”(OLIVEIRA, apud RUIVO, 1993, pp. 98-99).

A existência de um evento Paralelo foi deveras ilustrativa. A defesa de um modelo de desenvolvimento no qual haja respeito ao manejo dos recursos naturais não poderia deixar de se estender a uma avaliação das posturas hegemônicas do capital sobre as relações sociais e, portanto, culturais e patrimoniais. Entender os processos de colonização e aculturamento como estratégias de dominação ideológica, política e econômica foi determinante à reflexão do que então seria o Desenvolvimento Sustentável.

A compreensão da cultura como elemento de catalisação de desenvolvimento foi discutida pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), na Conferência Intergovernamental sobre Políticas Culturais para o Desenvolvimento (UNESCO,1998), e revela a necessidade de políticas culturais que estejam alinhadas à dimensão de cada território, para o qual é necessário o reconhecimento das culturas tradicionais locais, reverberando assim numa integração econômica e social com os patrimônios materiais e imateriais, culturais e naturais.

Esta dimensão simbólica de Desenvolvimento Sustentável resvala diretamente na manutenção do meio ambiente, ou seja, o patrimônio natural da humanidade e as relações sociais derivadas de suas ocupação/exploração vão além de medidas paliativas de não poluição, este se desenrola em dimensão social, econômica, ambiental e, sobretudo, política. Compreender o conceito de sustentabilidade representa também “necessidade de construir um novo paradigma de desenvolvimento, baseado na cooperação e solidariedade, na distribuição equitativa do produto social e na reformulação do sistema político, superando os padrões autoritários, através da construção de um modelo participativo e de cogestão.” (RATTNER, 2009).

Se preocupar com o meio ambiente é também se preocupar com o outro!

Vitória Barros.

Esgotad'ouro, 2007.

Vídeoarte (frame)

Dica para educadores:

O material educacional Eco Art reúne proposições didáticas que, a partir da leitura de imagem, possibilitam o diálogo entre o discurso poético proferido pelas obras da Coleção Eco Art e Ecologia. Ele foi desenvolvido a partir de 25 telas de uma coleção encomendada pelo Grupo Bozano a artistas das Américas para uma mostra que ocorreu durante a Eco 92, e que posteriormente foram convertidas em serigrafias. Essas gravuras foram doadas a 55 Museus e Casas de Cultura em todo o Brasil.

Criado com o objetivo de transpor as fronteiras da arte e adentrar os campos da Ecologia, das Ciências Ambientais, sua linha metodológica propõe ao professor que este investigue com seus alunos os vários planos de entendimento que uma obra de arte pode alcançar, cabendo a ele adaptar os conteúdos e proposições aos perfis e realidades com os quais trabalha. O material encontra-se disponível em: http://artenaescola.org.br/ecoart/

[Texto de divulgação]

Referências

- NASCIMENTO, Elimar Pinheiro do. Trajetória da sustentabilidade: do ambiental ao social, do social ao econômico. Estudos Avançados, São Paulo, v. 26, n. 74, p. 51-64, jan. 2012.

- OLIVEIRA, Leandro Dias de. A Conferência do Rio de Janeiro – 1992 (Eco-92): Reflexões sobre a Geopolítica do Desenvolvimento Sustentável. VI ENCONTRO ASSOCIAÇÃO NACIONAL DE PÓS GRADUAÇÃO E PESQUISA EM AMBIENTE E SOCIEDADE (18 a 21 de setembro de 2012) Centro de Convenções Benedito Nunes/UFPA Belém - Pará - Brasil

- _______________. A Geopolítica do Desenvolvimento Sustentável: um estudo sobre a Conferência do Rio de Janeiro (Rio-92), 2011. 283 p. Tese (Doutorado em Geografia) – Instituto de Geociências, Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP), Campinas – SP, 2011.

- RATTNER, Henrique. Meio ambiente, saúde e desenvolvimento sustentável. Ciênc. saúde coletiva [online]. 2009, vol.14, n.6, pp.1965-1971. ISSN 1413-8123. http://dx.doi.org/10.1590/S1413-81232009000600002.

- UNESCO. Conferencia intergubernamental sobre políticas culturales para el desarrollo (Estocolmo, Suecia, 30 de marzo - 2 de abril de 1998), Informe final. Disponível em

http://unesdoc.unesco.org/images/0011/001139/113935so.pdf


26 visualizações

© 2015 por Galeria de Arte Vitória Barros.

Orgulhosamente criado com Wix.com 

Av. Itacaiúnas, 1519. Novo Horizonte, Marabá-PA.

68503-820