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  • Natacha Barros

Exposição MARABÁ:TERRA, 15 anos de Galeria Vitória Barros


MARABÁ: TERRA: TERRENO: CULTIVO: NUTRIENTES: FERTILIDADE: ABUNDÂNCIA: TERRITÓRIO: INSUMO: MINÉRIO: DISPUTAS: TRÂNSITO: DINÂMICA: VIDA: PLANETA: LAR: CASA...

Uma exposição é uma experiência concreta e subjetiva, um fenômeno que ocorre para evocar diálogos. É uma experiência social, que pode ser aproveitada coletivamente e, mesmo quando visitada a sós, é possível ir além dos limites do próprio sujeito, encontrando poéticas e representações da vida por meio das obras de outro. Exposições são pensadas como um diálogo, incluem vários elementos que contribuem para a formação de uma determinada ideia que interage e se modifica a cada novo contato.

Da mesma forma se comportam as obras, por seu lado. Cada uma produzida por um artista, em um determinado contexto, às vezes produzidas em séries para discutirem juntas um conceito particular, outras vezes nascem isoladas na expressão de um sentimento específico. Sozinhas ou em arranjos curatoriais teremos sempre, na presença de obras de arte, um convite à conversação que terá a direção determinada pelos seus interlocutores. Interessa-nos, então, saber quais são as obras e quem são seus observadores para entendermos do que se fala em uma exposição.

Nestes quinze anos como um espaço dedicado às artes visuais, a criação de um acervo da Galeria Vitória Barros foi consequência natural, entre doações, compra e outras relações de troca, se reuniu trabalhos dos inúmeros artistas que expuseram em suas salas. Amigos, passageiros e iniciantes, a Galeria se dedicou a dar visibilidade às artes em Marabá, e a ser mediadora de novos fluxos de produção criativa.

Na exposição MARABÁ:TERRA exibimos acervo e convidados sob a camada da memória que se movimenta e nos coloca no agora. As obras nesta exposição são parte dos encontros promovidos nesta casa-galeria, que também é liceu para muitos iniciantes.

As obras e os artistas selecionados na mostra foram surgindo como elementos de uma história que ainda é pouco visível, na qual os atores vão sendo aos poucos reconhecidos. As artes visuais em Marabá fluíam no final dos anos 1990 com um grupo de artistas motivados pela criação de arte contemporânea, que se apropriavam de materiais usuais e de rejeito, como tampinhas, descartáveis, caixas de fósforos, canos de PVC para produzir uma arte conectada, atual e imersa nas questões do seu entorno.

A organização dos artistas à época foi responsável pela criação dos principais espaços dedicados às artes em Marabá: GAM, ARMA e Galeria Vitória Barros, surgidos como que complementares uns aos outros, no sentido de tentarem atender às necessidades de um circuito de artes, com experimentação e circulação de obras. Mesmo que com muitos obstáculos, estas instituições, todas autônomas, prosseguem seu percurso na consolidação de uma produção artística local.

A Casa

Pensar o mundo a partir da casa. Compreender a casa, as coisas da casa e os modos de ser da casa, e depois compreender o universo. Evoco a recordação das casas sabendo que estou num museu que também é uma casa. Os museus precisam ser casas acolhedoras, assim como esta casa em que me encontro agora e onde me sinto bem acolhido. É preciso que o povo brasileiro se aproprie dos museus e sinta-se acolhido neles; é isso o que é a antropofagia. Esse é que é o desafio da nossa museália, da nossa tropicália museal.

A citação é de 2006, quando Gilberto Gil, então Ministro da Cultura, lançou o Ano Nacional dos Museus, em uma casa que se tornou museu (do artista Lasar Segall em São Paulo). Mas cabe perfeitamente para pensar nosso lugar de fala: o INSTITUTO DE ARTE VITÓRIA BARROS, instalado na casa onde cresceu a artista que lhe dá nome.

Em 2002, a Casa fora cedida pela família à Vitória Barros para se tornar a GALERIA de Arte de Marabá, um espaço público onde artistas e comunidade pudessem se conhecer e falar sobre artes. A iniciativa contou com diversas parcerias e durante esses quinze anos de atividades ininterruptas, fomentou programações culturais inúmeras pela cidade e estabeleceu intercâmbios a fim de estimular uma rede de produção e circulação dos artistas locais e, da mesma forma, ter acesso a produção de outros territórios.

Logo no primeiro ano do espaço cultural houve um grande interesse e curiosidade da população sobre o que propunha uma galeria de arte em Marabá. Da mesma forma ainda nos questionamos: Qual a proposição de uma Galeria para a comunidade? O questionamento nos aproxima do fazer dos artistas: às beiras com a intuição. Nesse caminho de experimentação entre rodas-de-conversas, cursos, saraus, recitais, exposições, jornadas fotográficas e afins, se vê integrada à vida da comunidade e, assim como um museu, acresceu de acervo que testemunha e acompanha seu tempo.

Mais que dedicada à comercialização de obras, houve compromisso em assegurar o espaço para exposição dos artistas. O passo mais significativo talvez tenha sido a formação de uma coleção iniciada por Vitória Barros. Entre doações e aquisições, constituiu-se um pequeno e honesto recorte da produção contemporânea da arte marabaense, que se estende aos artistas visuais que por essas salas andaram. Um acervo é um desenho, e a casa o abriga como uma moldura.


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