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  • Deíze Botelho

Sementes de Vitórias


agregar diferentes modos de pensar e fazer arte, contribuindo com a construção da sensibilidade das novas gerações, apoiando, provocando, fomentando e fornecendo elementos teóricos, metodológicos e técnicos de artes visuais, com a clara intenção educativa de contribuir com um novo olhar da população sobre arte.

Vitória Barros, 2016[1]

Assim, a Galeria de Artes Vitória Barros é definida pela artista que calorosamente, emprestou seu nome ao lugar. Um lugar de criação, experimentação e disseminação da sensibilidade daqueles que juntos acolhem o pensar, o fazer e o transformar de uma sociedade.

Criada em março de 2002, a Galeria de Artes Vitória Barros, não para de colher frutos semeados há uma década e meia de trajetória cultural. Agrega diferentes modos de pensar e fazer arte, partindo das rodas de conversas entre artistas, produtores culturais e comunidades, com foco no fomento às artes visuais, música, teatro, cultura popular, literatura e poesia. Sustenta em sua forma de empreender uma autonomia no fazer. Abraça, desde as mais genuínas manifestações artísticas, às mais ousadas atitudes do cotidiano de quem busca um novo olhar sobre a vida e o mundo.

Transformou-se em uma das mais respeitadas Galerias de Artes do Pará, com a dinamicidade, simplicidade e sabedoria, que atraem a diversidade de olhares para o “Ver-A-Cidade” [2]; o despertar da infância e juventude na partilha dos sons, das cores e da pureza da alma, culminando numa “Ciranda das Artes”[3]; os (re) encontros dos diferentes, em construções híbridas, sem perda da essência amazônica, que lhes são dadas a sentir, tocar e cheirar, em “Rodas de Conversas”[4]; e por vezes, saborear junto às lembranças de quem já partiu para outro lugar.

Nestes quinze anos de pura efervescência cultural, ou melhor, de uma efervescência cultural pura, são dezenas de artistas e obras que se entrelaçam, gerando no interstício de suas relações íntimas no “eu” e do “eu” com o(s) “outro(s)”, novos horizontes que se constituem nos becos, ruas, praças, bairros e cidade.

Apraza-me refletir sobre sua imersão e emersão no e do movimento artístico cultural da cidade, vividos desde o final da década de 1990, aos dias atuais. Vitória, sempre aliada (d) àqueles que buscam nas micros e macros participações sociais, o respeito a arte; a dignidade do ser e a revelação do novo; não se contenta apenas no fazer sua arte, nem mesmo na superação dos mais difíceis desafios que a vida lhe impõe. Desdobra-se sobre a construção de novos olhares, cria o Instituto Cultural e retroalimenta os seus pares: universidades, escolas, associações, grupos e comunidades.

Sementes aradas. Foram inúmeras rodas de saberes, no espaço embrionário do Galpão de Artes de Marabá (GAM), na busca de caminhos estratégicos capazes de fortalecer a (s) arte (s) e o (s) artista (s) em suas práticas cotidianas. Havia sim, de fazer emergir novas práticas. Vivemos intensamente o caminhar das

Sementes de Vitórias.

Fazer da arte, um chão.

Semear nos homens, a criação.

Regar as energias do alvorecer.

Florescer na arte de fazer.

Entre tantas conquistas, há uma força sensível que nos leva a transformar os lugares; micros resistências na busca da liberdade de ser o que é; transcendência dos limites da cidade; suspiros e reflexões sobre o futuro de nossos rios e de seu povo. Atitudes capazes de semear, regar, experimentar e viver. Vitórias!!!

[1] Mensagem recebida por <deize.botelho@gmail.com>, em 15 jan. 2016. Maria Vitória Martins Barros. Geografa e artista visual. É fomentadora do movimento artístico cultural de Marabá. Fundadora da Associação dos Artistas Plásticos de Marabá (ARMA), Galpão de Artes de Marabá (GAM) e Galeria de Artes Vitória Barros.

[2] Ver-A-Cidade. Concurso fotográfico criado com o objetivo de estimular o olhar da comunidade local sobre a cidade, seus encantos e desafios. Em sua 7ª versão (2016), sob o tema Gestos Urbanos, o Ver-A-Cidade, nos convocou a observar os aspectos modeladores da urbanidade marabaense, afinal, como se dá a urbanidade na região sudeste do estado?. Disponível em: http://marabanoticias.com.br/index.php/noticias/cultura/407-vitoria-barros-comeca-exposicao-ver-a-cidade. Acesso em 19 set 2016.

[3] Ciranda das Artes. Exposição de resultados de oficinas com crianças, adolescentes e jovens que participam dos projetos de artes ofertados pela Galeria Vitória Barros.

[4] Rodas de Conversas. Encontro entre artistas, curadores, produtores culturais, professores e estudantes, realizados para partilha de saberes e reflexões sobre temáticas culturais em interface com diversas áreas do conhecimento.

REFERÊNCIAS

BOTELHO, Deíze Almeida. Cultura no Desenvolvimento Local: uma estratégia do movimento artístico em Marabá, Pará. Orientador, Alexandre Silva dos Santos Filho. Dissertação (Mestrado) – Universidade Federal do Sul e Sudeste do Pará, Campus Universitário de Marabá, Programa de Pós-Graduação em Dinâmicas Territoriais e Sociedade na Amazônia, Marabá, 2016.

CERTEAU, Michel de. A Invenção do Cotidiano: artes de fazer. Tradução: Ephram Ferreira Alves. 3ª edição. Petrópolis, Rio de Janeiro: Editora Vozes, 1998

MENDES, Ieda Maria Martins. Galeria Vitória Barros. Texto: Maria Vitória Martins Barros [mensagem pessoal]. Mensagem recebida por <deize.botelho@gmail.com>, em 15 jan. 2016.

Deíze Almeida Botelho. Musicista. Gestora e pesquisadora cultural. Mestre em Cultura no Desenvolvimento Local, pela Universidade Federal do Sul e Sudeste do Pará (PDTSA-UNIFESSPA). Graduada em Serviço Social (UCG/GO). Especializada em Métodos e Técnicas de Elaboração de Projetos Sociais (PUC/MG); e Saúde Pública (UNAERP/SP). Foi fundadora e presidente da Associação dos Músicos e Artistas do Sul e Sudeste do Pará. Coordenadora do Galpão de Artes de Marabá (GAM). Gestora da empresa Tallentus Amazônia (Prêmio Brasil Criativo 2013 - SCC/MINC).

#15anos #cultura

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